Espectros da cidadania de mulheres soropositivas no Brasil
Autor: Cláudia Carneiro Peixoto (Currículo Lattes)
Resumo
O presente trabalho analisa a cidadania da mulher soropositiva no Brasil. Para alcançar tal objetivo, refletiu-se sobre as concepções de cidadania, enfatizando questões relativas à cidadania ativa, exclusão, espaço público e privado. A epidemia do HIV/aids foi pesquisada a partir de sua gênese histórica, por meio da qual a resposta brasileira à infecção pelo HIV, desde a década de 1980, foi problematizada. As categorias da precariedade, subalternidade e violência simbólica conduziram as reflexões no que tange à cidadania da mulher soropositiva, a fim de propiciar o entendimento acerca do modo como ocorre a submissão ao discurso dominante "sobre" o HIV/aids, em uma condição de vulnerabilidade e silenciamento. Neste contexto, objetivou-se questionar as representações da mulher soropositiva que estabelecem uma relação de medo, culpa, infração e pena, que figuram como consequências da infecção pelo HIV. Os estereótipos em torno da mulher com HIV/aids associam-se à ideia de uma sexualidade promíscua ou irresponsável que, na construção ideológica do gênero, dissemina os valores morais de reconhecimento ou não reconhecimento, que, no último caso, potencializa o isolamento e exclusão da vida familiar e social da mulher.