Revisitando a riqueza das nações : fundamentos de proteção social e republicanismo cívico no pensamento de Adam Smith
Autor: Thaís Cristina Alves Costa (Currículo Lattes)
Resumo
A visão convencional que se desenvolveu ao longo do século XX sobre Adam Smith sugere que o iluminista escocês fez uma defesa tout court do laissez-faire e do puro cálculo racional da economia. Considero, entretanto, que essa é uma interpretação inapropriada, pois desconsidera elementos centrais de sua obra A Riqueza das Nações. Neste sentido, utilizarei a abordagem metodológica inspirada na Escola de Cambridge para reconsiderar a importância da dimensão histórica e o contexto intelectual de sua época para o desenvolvimento daquilo que chamarei de republicanismo cívico no pensamento liberal smithiano. Parte dessa reconstrução do núcleo teórico de A Riqueza das Nações passa por deslocar o eixo tradicional de discussão e lançar luz sobre outros elementos da teoria até então considerados secundários por aqueles que se debruçaram sobre seu pensamento. Além disso, farei uma reinterpretação de sua teoria e trarei à tona elementos centrais de sua obra para, amparada por uma literatura revisora, defender Smith como um reformista social preocupado com os efeitos da pobreza, da falta de educação e das melhorias das condições de vida dos trabalhadores. Isto reforça o reconhecimento da importância do governo para questões de justiça social. Ao final, defenderei que Smith pode ser compreendido como um republicano preocupado com questões sociais, levando em conta os elementos morais, humanísticos e a reconsideração da chamada teoria dos sentimentos morais como base para o engajamento cívico. Aqui, as virtudes cívicas serão tomadas como a engrenagem das sociedades comerciais, amparada pela ideia que os cidadãos dispõem da simpatia como qualidade moral que poderá propiciar a manifestação das virtudes necessárias para o progresso econômico.