A confecção da ordem social tardo-moderna racista pela subcultura dos "bons policiais" : uma análise do Edgework policial e autoimagem positiva sob a ótica da criminologia cultural
Autor: Luisa Pinto da Silva (Currículo Lattes)
Resumo
Tema: a influência do processo de alterização na atuação profissional e na subjetividade dos policiais brasileiros no contexto tardo-moderno. Problema: como o processo de alterização impacta a atuação profissional e a subjetividade dos policiais brasileiros na modernidade tardia? Hipótese(s): a alterização determina a negociação de significados realizada pelo policial, que acaba por pautar sua conduta profissional e sua subjetividade em razão dela, essencializando tanto a si mesmo como aos demais. Objetivos: determinar de que maneira a alterização influencia os campos profissional e subjetivo do policial, a) contextualizando a origem da polícia e a influência da modernidade tardia na instituição; b) esclarecendo os efeitos da alterização na subjetividade e na atuação profissional do policial; e c) explanando acerca da categoria dos podem ser mortos. Metodologia: estudo de procedimento qualitativo, com fontes bibliográficas (artigos científicos e livros físicos e eletrônicos) e de dados quantitativos, adotando-se a estrutura analítica triádica da Criminologia Cultural, sendo a pesquisa desenvolvida conforme a observação dos níveis micro, meso e macro, visando a produção de uma análise qualitativa. Resultado: a ordem social tardo-moderna é mantida pelos policiais, que incorporam por completo uma racionalidade punitiva, tornando sua atuação violenta e letal e sua subjetividade dependente da essencialização, sendo ambas racialmente orientadas. Contribuições: a pesquisa salienta que uma atuação policial violenta e racialmente orientada é um verdadeiro obstáculo à promoção dos direitos e garantias fundamentais e à realização da justiça social, desvelando o apego às explicações simplistas que não contemplam a complexidade das problemáticas oriundas de um cenário tardo-moderno. Aderência ao Programa: a pesquisa se revela à compreensão dos obstáculos para a realização da justiça social, uma vez que aborda a violência desproporcional e as orientações raciais que perpassam o controle do crime, relacionando-as com uma subcultura policial própria da modernidade tardia e a vigência de uma necropolítica que afeta a população negra.